Nematoduino: Simula todos os neurónios do cérebro de um verme com uma placa Arduino

Um dos objetivos da humanidade, já há bastante tempo, é conseguir reproduzir o corpo humano de forma artificial. A criação de robots e de inteligências artificiais foram passos enormes nesta direção. No entanto, ainda não conseguimos alcançar a complexidade de criar um corpo semelhante ao nosso. Mas a verdade é que já estivemos mais longe. E passo a passo lá iremos conseguir concretizar este velho sonho.

Até lá são desenvolvidos projetos que, de certa forma, nos impulsionam nessa direção. Ainda não conseguimos simular um cérebro humano, mas já conseguimos simular o cérebro mais primitivo que conhecemos, o de um verme.

 

302 neurónios sequenciados, uma placa Arduino e paciência

Caenorhabditis elegans é uma espécie de verme com um dos cérebros mais primitivos que conhecemos. De facto, possui tão poucos neurónios que é difícil considerá-lo um cérebro. A quantidade de neurónios varia de espécie para espécie. Mas seria de esperar que, por exemplo, a diferença entre a quantidade de neurónios de um verme para uma mosca não fosse assim tão grande. Certo? A verdade é que o primeiro possui 302 enquanto que a mosca possui cerca de 300 mil neurónios. E quantos é que será que o Ser Humano possui? Estima-se que o cérebro humano tenha cerca de 86 mil milhões de neurónios. Dizer que somos complexos é um eufemismo.

 

verme

 

 

Obviamente, os neurónios do ser humano ainda não foram sequenciados. É uma tarefa praticamente impossível. O único ser do qual conhecemos o comportamento de todos os seus neurónios é o verme de Caenorhabditis elegans. Estará, pois, relacionado com a quantidade.

Proporcionalmente aos seus neurónios, este ser vivo não faz muito ao longo da sua vida. As suas funções estão limitadas a mover-se de acordo com estímulos que recebe, numa espécie de nariz capaz de detetar sinais químicos subtis.

Nathan Griffith aproveitou a simplicidade deste verme para simular o seu cérebro numa placa Arduino. Os neurónios são células que reagem aos estímulos, portanto, essas respostas tiveram que ser adaptadas. Ou seja, 302 respostas. Podemos imaginar a complexidade da programação.

Com duas rodas, um sensor de proximidade, um Arduino e horas de programação, Nathan conseguiu imitar os movimentos e as reações do verme. Sim, já vimos robots a realizar tarefas muito mais incríveis. Mas aqui o interessante não é o que pode fazer, sim o que simula: um cérebro.

Vejamos o vídeo do projeto finalizado:

Do cérebro mais primitivo ao cérebro mais complexo

Nematoduino, título do projeto, consome aproximadamente 40% da memória da placa Arduino. É um microcontrolador básico. Algo mais potente poderia ser capaz de simular o cérebro de seres mais complexos. Quem sabe, talvez um supercomputador quântico possa simular milhões de neurónios. Incluindo os 86 mil milhões do cérebro humano.

Mas o problema não está na capacidade da tecnologia, está sim na nossa capacidade de sequenciar o nosso cérebro. Analisar todos os neurónios do corpo humano, é, ainda, impossível. Por isso, por enquanto, vamos ter de nos contentar com vermes.

Se gostou da ideia e gostava de a colocar em prática, vai adorar saber que o Nematoduino é um projeto open source. Pode encontrá-lo no GitHub. Coloque já as mãos à obra!

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