Singapura quer tecnologia de reconhecimento facial nos candeeiros de rua

A Singapura anunciou um plano para colocar câmaras com reconhecimento facial em mais do que 100,000 candeeiros do país. Este anúncio fez soar os alarmes entre especialistas de segurança e grupos activistas. O governo afirma que o sistema irá permitir analisar os dados referentes a multidões e ajudar em operações anti-terroristas.

Este projecto piloto tem o nome de “Lamppost-as-a-Platform” e a agência governamental responsável pelo mesmo, GovTech, abriu um concurso público até Maio para que empresas privadas se possam candidatar a ser fornecedoras da tecnologia de vigilância. O projecto deverá ser colocado nas ruas no ano de 2019.

“Como parte do teste do Lamppost-as-a-Platform (LaaP), nós estamos a testar vários tipos de sensores nos candeeiros, incluindo câmaras com capacidade de conhecimento facial,” disse um porta-voz da GovTech citado pela Reuters. A ideia do projecto está incluída no projecto mais amplo “Smart Nation” que pretende utilizar tecnologia “inteligente” para melhorar a vidas dos cidadãos.

Sistemas de vigilância de vídeo são comuns em quase todas as cidades do mundo. Porém, este projecto é muito mais invasivo, na medida em que reconhece e identifica rostos. Este tipo de tecnologia já é utilizada em algumas cidades chinesas.

O governo afirma perceber as preocupações em relação à privacidade e diz-se “sensível” ao assunto. Porém, retira-lhe importância. O Primeiro-ministro Lee Hsien afirmou que o projecto “Smart Nation” é muito importante para melhorar as condições de vida da população, mas que deve ser colocado em prática de uma forma que não seja demasiado “intrusiva” e “sem ética”. O projecto dos candeeiros inteligentes também inclui o objectivo de colocar outros tipos de sensores. Um exemplo seria sensores para medir a qualidade do ar.

Os medos e anseios da sociedade civil, dos grupos de activistas e dos especialistas não se prendem apenas com a utilização desta tecnologia de forma demasiado intrusiva e com falta de respeito pela privacidade. Existe o medo que a mesma possa ser utilizada para atacar a oposição politica e para dissuadir manifestações pacíficas.

Tecnologia chinesa

A China tem estado na vanguarda da utilização de tecnologia para fins de vigilância. Nessa sequência, é sem surpresa que a Yitu Technology, uma companhia chinesa, disse à Reuters que está a planear avançar com uma proposta à GovTech. A empresa afirma que a sua tecnologia tem a capacidade de identificar mais do que 1,8 biliões de faces em menos do que 3 segundos, sendo que a população da Singapura é de 5,6 milhões de pessoas.

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