O futuro na Educação já começou

O ensino da programação e robótica deve ser uma prioridade junto das gerações mais jovens, como contributo para estimular e promover a literacia digital de forma simples e intuitiva.

O profissional do novo milénio deverá contar com uma sólida base de conhecimento e, ao mesmo tempo, ser criativo para encontrar soluções para os desafios do futuro. Os alunos de hoje precisam de estar preparados para ampliar horizontes, resolver problemas, atuar no presente e no futuro com sucesso, de modo a adquirirem competências e a estarem qualificados para o mercado de trabalho que se advinha.

Estamos perante uma nova geração civilizacional, pelo que o ensino nas escolas deve estar preparado para acompanhar o progresso. Utilizar um processo de ensino/aprendizagem com ênfase no desenvolvimento de projetos que permitam o aprender fazendo, em interação com o meio, deverá ser um dos objetivos essenciais para a escola do futuro. O que se pretende é que os alunos conheçam e experienciem um ambiente de aprendizagem interativo, onde o conhecimento se constrói na interação com o meio.

A possibilidade de permitir aos alunos criarem projetos simples na área de robótica, como atores principais na construção de materiais e saberes explorados no desenvolvimento dos respetivos projetos, tem contribuído para o grande interesse dos alunos em aprender a programar e em evoluírem nesta área do conhecimento. As ciências da computação e a robótica, como área de conhecimento multidisciplinar, são fundamentais no currículo escolar dos alunos. A atividade de robótica, o aprender a programar e elaborar software, através de uma metodologia de projeto, permite que os alunos compreendam o que é uma máquina programada e desenvolvam a capacidade de interagir com a realidade, questionem saberes estabelecidos, integrem conhecimentos emergentes e desenvolvam o raciocínio, criatividade, pensamento crítico, entre outras. Permite ainda promover competências de pesquisa, experimentação e avaliação.

Um exemplo da tipologia de projetos que resulta deste concurso é o projeto “O Mundo na Ponta do Dedo”, desenvolvido na Escola de São Gonçalo, em Torres Vedras. Neste projeto, os alunos, em colaboração com profissionais de saúde, desenvolveram um “dedo mecânico” controlado por pacientes com mobilidade reduzida, permitindo manusear autonomamente equipamentos informáticos.

O ensino da programação e robótica deve ser uma prioridade junto das gerações mais jovens, como contributo para estimular e promover a literacia digital de forma simples e intuitiva e combater a infoexclusão. A atividade de iniciação à programação e robótica oferece aos alunos a possibilidade de procurarem de forma autónoma o conhecimento através do desenvolvimento dos seus próprios projetos. Assim, o aluno deve de preferência utilizar uma linguagem de programação com estrutura intuitiva, de modo a que de forma simples e sistémica construa intuitivamente o seu código e evolua na construção do algoritmo autonomamente. Nesta metodologia, o professor atua como elemento motivador e orientador.

projeto de robótica na Escola de São Gonçalo, onde a atividade de aprender a programar assim como a construção de robôs permite, de uma forma simples, a compreensão das matérias lecionadas, constitui uma boa prática. A construção e desenvolvimento de projetos na escola, com recurso à utilização da programação e robótica, possibilita que o aluno faça uma aprendizagem multidisciplinar com enfoque nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, pondo a Ciência e a Tecnologia ao serviço do progresso tecnológico.

A prova evidente que as alterações já se começam a sentir é o número crescente de alunos que anualmente desenvolvem projetos de sucesso nesta área do conhecimento e, por conseguinte, o interesse contagiante cada vez maior nos jovens em quererem aprender a programar.

O ensino através de projetos que incluem a robótica permite integrar diferentes conhecimentos teóricos e práticos, e já é uma realidade em várias escolas portuguesas. A escola de São Gonçalo é um exemplo de sucesso, com alunos vencedores em concursos nacionais e internacionais, nomeadamente alunos premiados no prémio Ciência na Escola (consecutivamente desde 2008), assim como alunos campeões nacionais em várias modalidades de robótica (consecutivamente desde 2007), onde muitos deles se sagraram campeões mundiais por treze vezes no Robucup – Campeonato do Mundo de Robótica.

por Jaime reis, para O Observador

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